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terça-feira, 22 de agosto de 2017

A TERCEIRA REVELAÇÃO (ESPIRITISMO)



Edição comemorativa dos 160 anos de advento do Espiritismo
18.04.l857 a l8.04.2017

por José Olívio

Quando o Cristo andou no mundo
Nem tudo ele falou
No entanto prometeu
Mandar um Consolador
Para explicar as parábolas
Que o povo não interpretou.
Certa vez em Hydesville
Cento e sessenta se vão (anos)
Próximo a Nova York
No novo mundo, então
Um fato aconteceu
Que abalou a opinião.
Duas irmãs em um quarto
Acordaram espantadas
Móveis andavam sozinhos
E nas paredes, pancadas
A parentela acordou
Para ver a embrulhada.
O velho Fox, o pai,
Muito vivo e corajoso,
Percebeu não se tratar
De história de trancoso
Cuidou logo em desvendar
O caso misterioso.
Bolou ele um alfabeto
Para se comunicar
“Cada letra do alfabeto
Tantas pancadas terá”
Assim, se comunicou
Com o outro lado de lá.
Ficou sabendo de um crime
Ali naquele aposento
Para o qual até então
Não tinha esclarecimento
Verificando mais tarde,
Comprovou o depoimento.
Depois o mesmo sistema
Por Kardec foi usado
Os “raps” eram batidas
Um código utilizado
Agora as mesas girantes
Eram os entrevistados.
Posteriormente um lápis
À cesta foi amarrado
Ou mesmo a uma prancheta
O lápis adaptado,
Onde punha a mão do médium
Pra atender ao perguntado. 
Depois com a evolução
E a ordem superior
Os próprios médiuns passaram
Com firmeza e destemor
A escrever com o lápis
As mensagens de valor.
O médium bem que podia
Já com o lápis escrever
Saltando todo processo
Que acabamos de ver
Como provar sem pancadas
Que havia um outro ser?!
Surgia o Espiritismo
Por Kardec organizado
Os autores são espíritos
Por ele entrevistados
Não é obra de um autor
Pra ser personalizado.
Fruto da investigação
Desse professor francês
A entidades do além
Muita pergunta ele fez
Foi revelado o invisível
Caiu o pano de vez.
Kardec, um poliglota,
Tinha várias formaturas
Doutorado em medicina
Sua tese foi segura
Isso para os invejosos
Era uma amargura.
Falava italiano,
O alemão, o inglês,
Dominava o espanhol
Sem falar no holandês
Só não falava o Esperanto
Por não ter chegado a vez.
Seu genitor foi juiz
Vejam sua formação
Aluno de Pestalozzi
E tinha diplomação
Em Ciências e em Letras
Sua real vocação.

Casou-se com dona Amélie (Boudet)
De Esmerada educação
Professora, poetisa
Tinha rica inspiração
Na pintura traduzia
As cores do coração.
Quando Kardec partiu
Ela soube conduzir
Atendendo ao apelo
Dele antes de partir
A livraria, a Revista...
Foi-lhe fácil dirigir.
Antes da era Moisés
Muitos deuses se adoravam
O Sol, por exemplo, era
Um deus que se cultuava
Veio a Lei do Sinai
Que os egípcios odiavam.
 Ao depois veio Jesus,
Segunda Revelação,
Aprimorou a primeira
Pregou o Amor, o Perdão
Mostrou que Deus não se vinga,
Que o inimigo é irmão.
A palavra Cristo é
O ungido, o anunciado,
Dizemos Jesus o Cristo,
Com artigo antecipado
Por ser o maior artigo
De Jornal dos encarnados.
Por que um rico outro pobre?
Um perfeito, outro aleijado?
Um morre cedo , outro tarde,
Um feliz, o desgraçado
Se todos eles são filhos
Do mesmo Pai adorado?
Há coisa que o homem não
Por si só pode saber
É necessário, portanto,
Que venha alguém lhe dizer
Daí as revelações
Do homem sábio fazer.
Eis a chave do mistério
Que Kardec decifrou
A trilogia perfeita
Que o cientista aprovou
Deixando de ser ateu
Pois a resposta encontrou.
O Espiritismo é ciência,
Doutrina, religião,
Filosofia, também,
Vez que dá explicação
Além de interpretar a vida,
Prova à luz da razão.
Não tem templo suntuoso
Nem carreira clerical
Não adota cerimônias
Não há  qualquer ritual
Oferendas não aceita
Como hoje é usual.
Não se presta a instrumento
De pura dominação
Seu compromisso é provar
Haver reencarnação
Que o suicídio é engano
Só agrava a situação.

Que não há céu nem inferno
Nem anjo e nem demônio
Que a real vida é a outra
Esta é senão um sonho
Cada um segundo as obras      
Nesse dito eu me proponho.
Pra um efeito inteligente,
Inteligente a causa há
Desse modo o preconceito
Jamais nele existirá
Ninguém no globo terrestre
Colhe o que não plantar.
Que graça maravilhosa
Termos a comprovação
Que após essa existência
Reencontraremos o irmão
Não existe prova eterna
Nem eterna expiação.
Torna-se indispensável
Essa observação
No que difere a Doutrina
De outra religião
É que sem a Caridade
Não pode haver salvação.
Toda fé sem obra é morta
Não é difícil explicar
O Cristo curou no sábado
Justamente para aprovar
Além do mais, se a fé é cega,
Que valor ela terá?
Se um pai imperfeito e mau
O seu filho não condena
A ficar eternamente
De castigo em sua pena,
Imagine o Criador
De ação boa e serena!
A alma dorme na pedra
E sonha no vegetal
É despertada no homem
E se agita no animal
O cordelista verseja
O que diz o genial.
O Espiritismo ajuda
Clarear o inexplicado
Comprova que Deus não muda
E exalta o pecado
Dos que querem ser além
Do que foi anunciado.
O orgulho, a cobiça,
O egoísmo,  a paixão,
As chagas da humanidade
Que levam o homem ao chão,
Agora são abrandados
Por esta revelação.
Foram palavras do Mestre
Viria um Consolador
Para completar sua obra
Interpretar seu teor
Muitos pensam ainda hoje
Na volta do Salvador.
O Espírito de Verdade
Prometido do Senhor
Já está no meio de nós
Há mais de cem anos chegou (160)
Vide o Livros dos Espíritos
E outros que falar eu vou.
Através dos médiuns veio
A Revelação Terceira
Allan Kardec utiliza
Vários médiuns de maneira
Que não é ele o autor
Qual na segunda e primeira (Moisés, Jesus)
Uma plêiade de espíritos
Do plano celestial
Que já viveram na terra
E no espaço sideral
Cumpriram ordem do Pai
Sem alterar um sinal.
O Livros dos Médiuns é   (1861)
O segundo que escreveu
O terceiro,  o Evangelho, (1864)
O livro O Inferno, e o Céu (1865)
E a Gênese que trouxe luz (1868)
Ao cientista ateu.
Um raio lindo de sol
No novo mundo desponta
Fez que o Velho Mundo estale,
Qual se fosse uma alavanca,
Bem como a criancinha
Que o seu avô levanta.
Hoje a coisa anda animada
Com a transcomunicação
Já existe no além
Mais de uma estação
Através da qual o espírito
Faz sua reclamação.
Fone, rádio e tv...
Usam pra comunicar
Suas mensagens aos que
Estão do lado ode cá
Fax e computador
Nem é preciso falar.
Creio fui imparcial
Nas verdades repassar
Algo que eu não falei
Doutra feita vou falar
Se Jesus não disse tudo,
Por que vou me exaltar?!
Assim, humilde, termino
De cumprir o meu dever
O Evangelho me diz
Assim devo proceder
Não me exalto pra depois
Humilhado eu não ser.



***
Este trabalho integra a antologia Contemporâneos 2018 que será lançada pela Taba Cultural Editora entre dezembro/2017 e janeiro/2018.
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Caso deseje participar de nossas antologias envie uma mensagem para: taba@tabacultural.com.br

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